Gazeta Mercantil,  15/02/2002

GAZETA MERCANTIL

Recursos Humanos: investimento contra crise

Restaurante Delight aumentou o faturamento em 25% com programa de estímulo aos funcionários

Fernanda Nunes
do Rio

A crença  de que o funcionário com problemas dá prejuízo para as empresas está levando empregados e empregadores ao divã.  "Em um momento de crise, quando há anúncios de cortes no quadro de funcionários, é indispensável o tratamento preventivo", exemplifica Marlene Dias da Silva, psicóloga da Unipsico, especializada em consultoria em Recursos Humanos.
Do lado dos empregadores, há quem afirme que a atenção com a saúde mental dos empregados gera lucro imediato para as empresas.  Bons resultados também para as consultorias em Recursos Humanos, que começam a faturar com o despertar das companhias para o equilíbrio emocional dos seus funcionários.

Auto-estima influencia o faturamento

No Centro do Rio, o restaurante Delight registrou um crescimento de 215% no faturamento de janeiro deste ano em comparação com igual mês do ano passado.  O proprietário da loja, Luiz Claudio Fonseca.



a realocação dos funcionários para evitar demissões por exemplo.

E até mesmo aqueles que são dispensados acabam conseguindo se reestruturar mais fácil e rapidamente do que aquele que passa por um mesmo processo em empresas em que há planejamento" destaca a psicóloga.

Grande procura

Segundo Marlene, a Unipsico aumentou o faturamento em 309 no ano passado em comparação com 2000 por conta do crescimento do número de contratos fechados com empresas.  "Fechamos cerca de 15 novos contratos no último ano, inclusive com empresas instaladas em São Paulo, distantes de nossa sede no Rio de Janeiro", afirmou Marlene. "O trabalho de consultoria em recursos humanos representa atualmente 70% dos negócios do escritório. A maioria dos nossos clientes nos buscam em situações de conflito, seja em caso em que o funcionário se envolve com o alcoolismo, seja em casos de demissões", exemplifica a psicóloga.

 

credita    grande    parte    dos   números  alcançados  ao programa de desenvolvimento da motivação e da auto-estima.  "Dentro de um restaurante, é fundamental que haja um bom relacionamento entre o pessoal da produção e o do atendimento.  Com o programa de estímulo à integração e à auto-estima que desenvolvemos, conseguimos atingir este objetivo, essencial

 

para os negócios", diz Fonseca. 

Custos da motivação

O custo do bem-estar do Delight é de R$ 120 mensais por cada integrante do grupo de 12 funcionários que participam do workshop promovido pelo Centro de Psicologia Avançada (CPA).  Em um sábado de cada mês, fora do expediente, um grupo se reune na Barra da Tijuca.

 

"O empregado estressado com a possibilidade de demissão entra em um clima de defesa durante o trabalho.  A primeira reação é criar conflitos com os seus colegas", diz a psicóloga Marlene.  Ela aconselha as empresas a enxergar o tratamento preventivo como investimento durante as crises e não como custo. "Nas empresas em que há planejamento dos cortes, é privilegiada

 

Jornal do Brasil, 13/11/2002

Soluções a quilo e à la carte

Para não repassar alta dos alimentos, restaurantes inovam

Mila Poli

ESPECIAL PARA O JB

     Clientes acostumados a almoçar no Centro do Rio estão encontrando novos pratos no cardápio dos restaurantes.  A mudança faz parte da estratégia de alguns estabelecimentos para não repassar aos consumidores o aumento do preço dos alimentos. 
     O Delight, restaurante a quilo, além de lançar pratos, como o tomate recheado, teve que enxugar custos, acabar com o desperdício e procurar marcas mais em conta.  Segundo Henrique Almeida, sócio do restaurante, outra medida que contribuiu para a manutenção dos preços foi ampliar o número de fornecedores, de três para seis.
   - Não podemos aumentar os preços, senão perdemos clientela.  Os produtos que subiram muito estão sendo substituídos, como os biscoitos de nata que acompanhavam o café e foram trocados por mini-chocolates.  Outros que não podemos deixar de ter, como o azeite extra-virgem, agora são da marca mais barata.
   A empresária Beth Nunes, de 38 anos, ainda não sentiu aumento nos restaurantes.  Ela conta, entretanto, que gastos com supermercado já dobraram em apenas em um ano.
   - Como faço refeições leves, não

senti diferença.  Mas, em compensação, a merenda dos meus filhos passou de cerca de R$ 3 para R$ 10.
     Nem os restaurantes mais sofisticados foram poupados.  No Sagrada Família, a alta do dólar afastou os produtos importados do cardápio.  O haddock foi substituído por salmão, mais barato, e o pato, que era importado, agora vem de Teresópolis, Região Serrana do Estado.
     - Mesmo com as mudanças para evitar aumentos, os clientes estão se segurando.  Quem antes comia um prato individual, passou a dividir.  Até os consumidores cativos trocaram de
hábitos, dos vinhos franceses para os italianos e argentinos, mais

 em conta – diz a sócia do restaurante Cláudia Froes.
     Mas há quem esteja sentindo o prato de cada dia pesar no bolso.  A secretária Miriam Freitas, de 36 anos, agora busca melhor preço.
     - Não é sempre que eu posso comer em um ambiente agradável.  O tíquete agora acaba 10 dias antes do fim do mês – diz, acrescentando que sobremesas e refrigerantes foram cortados.  O lanche da tarde passou a vir de casa.


No Delight, saída foi acabar com desperdício e usar marcas mais em conta.